segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Sinantropia
Lhe fazia compania
Quebrava o silêncio da noite
Não ligava para os seus crimes
Não ligava para sua índole
Não se importava com a miséria ou fracasso
que ele se encontrava
Com o tempo passou a amá-la
Com o tempo a fome aumentou
Pegou-lhe delicadamente nas mãos
Sentiu aquele corpo em seus dedos
Se excitou
Sussurrou em seu ouvido, se desculpou
Passou o rosto naquelas costas lisas
Tocou-a em seus lábios e em sua língua
Colocou na boca e a mastigou
Naquele êxtase de quitina e carne
ele descobriu
Barata é doce.
sábado, 3 de setembro de 2011
Tabula Rasa
No princípio era o verbo
Pensarexistir
E daí surgiu a curiosidade, e dela todo o resto...
o Big bang, o átomo, a matéria escura, o tempo e o espaço.
O pensarexistir continuou, e a curiosidade cresceu
E fez coisas belas e criou a vida, curiosa
A vida se fez crescer, evoluir e morrer
E essa beleza cíclica porém finita era mais curiosa.
Assim, Pensarexistir se fez crescer, evoluir
A curiosidade da beleza se fez crescer, evoluir
E, para saciá-la, curiosamente, suicidou.
Tudo o que ficara de curioso se fez
Evoluindo seguiu, ao acaso
Alguns bilhões de anos depois nasceu o homem...
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Aquela manhã comum
_Aquela estava sendo uma manhã comum, despertar, levantar, café... foi então que o ônibus não parou no ponto da Ana Rosa. João e tantas outras pessoas já estavam posicionados em frente à porta para descer ao abrir da mesma, que não abriu. E o 857 simplesmente passou direto.
_Houve um grande rebuliço. As pessoas começaram a reclamar com o motorista, com o cobrador, que aquilo era um absurdo, que ia ter que andar, que perderia a 1a aula, que chegaria atrasado no trabalho e teria que se explicar com o chefe... foi quando o motorista falou: "Ninguém apertou o botão! Se não aperta o botão a luzinha não acende e o treco não apita, e se a luzinha não acende e o treco não apita eu não paro o ônibus!" Naquele momento houve um silêncio geral e todos ficaram ali, cada um, pensando que realmente não apertara o botão, nem vira a luzinha acender nem ouvira o treco apitar.
_Naquela manhã comum, contra todas as probabilidades, todos os passageiros que iam descer no ponto da Ana Rosa resolveram não se preocupar com o botão e, assim como João, se abstiveram de apertá-lo, esperando que alguma outra pessoa o fizesse.
_Depois de alguns segundos de reflexão um passageiro rompeu o silêncio do interior do ônibus e falou para o motorista: "Mesmo assim, todos os dias a gente desce nesse ponto! O senhor poderia ter um pouco de bom senso e ter parado na Ana Rosa, né?!" e assim o rebuliço recomeçou e foi aumentando e aumentando...
_Com a quebra da rotina e vendo uma certa comicidade no fato, os passageiros que desceriam no ponto seguinte ao da Ana Rosa ficaram tão entretidos que esqueceram, por sua vez, de apertar o botão de parada. Novamente, contra todas as probabilidades, nenhuma alma viva que desceria naquele ponto apertou o importante quadrado laranja. Foi então que todos viraram a cabeça e acompanharam o ponto seguinte ao da Ana Rosa passar pelas janelas e o cômico tornou-se desespero. O estresse acumulado de ter que andar a distância de um ponto foi multiplicado por 3, pois os primeiros passageiros agora teriam que andar a distância de 2 pontos, e os segundos a distância de 1 somando assim o incrível estresse de 3 pontos no geral.
_Foi uma guerra...
_Depois do "trágico episódio do 857", como foi chamado o acontecimento pelas empresas de tranporte público urbano, micro-câmeras foram instaladas no interior dos ônibus para que se pudesse monitorar os passageiros e suas respectivas paradas. Fiscais trabalham secretamente, durante todo e expediente dos ônibus, em uma sala subterrânea na sede do Detran paulista evitando que tamanha tragédia aconteça novamente.
_O fato é negado por todas as empresas de ônibus e pela prefeitura de São Paulo, o mesmo não foi noticiado nem mesmo no Jornal Hoje, no entanto quando os Fiscais do Transporte e do Bem-estar dos Passageiros Paulistanos (FTBePP) pedem aumento de salário (que, diga-se de passagem, já é altíssimo devido a confidencialidade de seus empregos) podemos ver o impacto orçamentário refletido no aumento da passagem dos ônibus, que sempre são mal explicados e mal justificados para encobrir o fato.
_Jõao, o único sobrevivente do "trágico episódio do 857" foi chamado para ser o diretor geral do FTBePP.... e nunca mais deixou de apertar um botão.
Escrevo aqui apenas um adendo ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Metrô não tem ponto e nem botão de parada!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Pressa pra ler?
pressa pra acordar
pressa pra comer
pressa pra andar
pressa trabalhar
pressa pressa pressa pressa
pressa pressa pressa pressa
pressa pra parar
pressa pra comer
pressa pra respirar
pressa pra fumar
pressa trabalhar
pressa pra andar
pressa pra pagar
pressa pra sentar
pressa pra subir
pressa pra comer
pressa descansar
pressa pra tevê
pressa pra meter
pressa pra amar
pressa pressa pressa pressa
pressa pressa pressa pressa
pressa pra dormir
pressa pra levantar
pressa pra sorrir
pressa pra viver
pressa pra cantar
pressa pra assobiar TAXI!
pressa pressa pressa pressa
pressa pressa pressa pressa
pressa pra chorar
pressa pra enterrar
pressa pra ensinar
pressa pra curtir
pressa pra crescer
pressa pra falar
pressa pra vestir
pressa pra votar
pressa pra tingir
pressa pra sentir
pressa pra gemer
pressa pra olhar
pressa pressa pressa pressa
pressa pressa pressa pressa
pressa pra cheirar
pressa pra discutir
pressa pra trepar
pressa pra morrer
pressa pra ganhar
pressa pra receber
pressa pra beber
pressa pra amar
pressa pra sonhar
pressa pra rezar
pressa pra fechar
pressa pressa pressa pressa
pressa pressa pressa pressa
apodrecer
A pressa é inimiga da mediocridade, Homo capitalis, e a perfeição é uma definição apressada de todas as maravilhas que varam nossos olhos como borrões e que não vemos pois estamos apressados demais.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Chiaroscuro
pela cena da novela
em um sábado à noite
O soluço da cadela
pela poça de água suja
em uma rua movimentada
O sorriso de uma cadela
pela cena de uma senhora
em um sábado de novela
O soluço de uma rua movimentada
pela noite de uma poça d'água
Suja
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
If I were a bell
_Café, pão com manteiga, geléia... A luz sol entrava pela janela junto com a sombra das folhas das árvores... Nada como um bom chavão em um dia tão clichê.
_Era uma sexta-feira, mas parecia domingo... O jornal veio grosso. Se teve jornal e o mesmo "veio", então para alguns a sexta-feira parecia mesmo uma sexta... que curioso! Ainda assim, o cheirinho de domingo me inalava as narinas. Que luxo.
_Senti-me ridículo ao abrir o jornal, afinal, só havia notícias do ano passado. Sorri com calma. Um leitinho quente com café, uma cueca confortável e um domingo quase de sol, em plena sexta-feira! Que luxo.
_Nada como ser feliz e cultivar como uma criança (que enfia um feijão no ouvido) uma certa imbecilidade de esperança, e como se não bastassem as rimas toscas, sento luxuosamente na cadeira da cozinha e, relaxando com o Miles, deixo a campainha tocar...
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ei, Luisinho! Vamos brincar de fazer contas?
100 - 40 = 60 bolinhas
Aí, no ano seguinte, esse alguém vem e tira mais algumas bolinhas...
60 - 25 = 35 bolinhas
E no ano seguinte...
35 - 15 = 20 bolinhas
E no outro ano...
20 - 10 = 10 bolinhas
10 - 4 = 6 bolinhas
6 - 3 = 3 bolinhas
3 - 2 = 1 bolinha
1 - 1 = 0 bolinhas
Pois é, depois de 8 anos o cara te levou todas as bolinhas, e você fica triste com isso. Mas imagina também que no 2º ano o cara lhe diz que apesar de ter lhe roubado as bolinhas, pelo menos ele roubou menos do que no ano anterior, e diz ainda que no ano seguinte ele vai roubar menos ainda! Você se sentiria reconfortado, Luisinho? Pois é, então saia do mundo da imaginação e assista, sem contorto nenhum, o ministro Carlos Minc dizer na televisão que o desmatamento da Amazônia está diminuindo ano à ano.
"Saudações 'ecológicas' e 'libertárias' para você."
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Mais um feriado
_ Bom, na 6ª passada celebramos a consciência negra, e agora celebramos a falta de consciência nas estradas e as negras vestes nos funerais de 2ª.
Zumbi se orgulharia de nós.
Belorizonte | etnoziroleB
_ O túnel de acesso hoje era o mesmo do dia anterior, mas não era o mesmo de alguns meses atrás, quando os grafites ilustravam livremente suas paredes e faziam daquele pedaço do trajeto algo interessante, lúdico. Era Arte. Mas hoje e ontem aquela liberdade fora suprimida por grades negras grotescamente grandes em formato de letras incompreensíveis. Cada dia podia-se notar um detalhe novo ou interpretar diferentemente algum detalhe antigo... mas agora, aprisionados sob aquelas grades de piche transmitiam apenas o pesar dos artistas e apreciadores cotidianos.
_ A Dr. Arnaldo era hoje a mesma. As bancas de flores do lado direito do ônibus, tão comercialmente belas... quando se estica o pescoço para a janelinha dá até para sentir o cheirinho... mas hoje eu me sentei do lado esquerdo do ônibus e tive que me contentar com o relance das cores.
_ Mais um doutor, o Homem de Melo, era o mesmo... os alunos da PUC iam e vinham como sempre... aquelas calçadas daqueles quarteirões eram as mesmas e o portão, o prédio e o porteiro eram os mesmos...
... e quando eu entrei naquele mesmo elevador eu agradeci, com um bom suspiro, aos Orixás do tempo, à Buda e à Maria Madalena, por me olhar nos olhos naquele mesmo espelho e, apesar de tanta mesmisse, eu continuar ainda sendo o mesmo de sempre... só que melhor.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O muro: 09/11/20??
_Quanto tempo faz, caro amigo, que não nos falamos? E o muro continua lá, onde se põe o sol.
_Poderia nessa mensagem ficar elocubrando as características do muro, como se conversássemos sentados lado a lado, você de um lado e eu do outro. Você falaria sobre ridícula engenharia, eu sobre a arquitetura tosca. Riríamos juntos.
_Mas na verdade, bom amigo, o que sinto quando me aproximo do muro é frio... não, não é nada sentimental ou espiritual não, e nem poderia ser, afinal, que tipo de muro tem sentimento ou espírito? Esse eu sei que não tem. O frio é por causa da sombra, aí eu imagino que, qualquer dia desses, poderíamos combinar de tomar sol juntos, ao meio dia, é claro...
_É, rapaz... enquanto lhe escrevo esse e-mail assisto na televisão uma reportagem sobre o Muro de Berlim e me ponho a pensar... será que algum dia cairá o muro aqui de casa? E o da sua?
Um abraço.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Ô, moço.
eimpedemquesevejaohorizonteeaquelepequenopedaçodocéuquevejonãoésuficienteparafazercomqueeurezeemesmoquefosseeunãorezariaporqueEUNÃOACREDITOEÉPORISSOQUE
___EU.
____ME.
_______NEGO.
_______A.
_______OLHAR.
____NOS.
____OLHOS.
__________DOS.
___________MENDIGOS.
___________QUE.
_______NA.
_____RUA.
___CRUZO!
..."MOÇO, VOCÊ tem um real pr..."
..
..
ufa!
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Charneca
_O princípio de calvice e a esclerose ainda não lhe tiraram da cabeça as memórias daqueles dias...
_Ah, aqueles dias... Ela quase podia sentir o cheiro, quase podia sentir o gosto tocar-lhe as papilas. Quase.
_E ela se lembrou do colégio... é! do colégio! Aqueles sete anos incríveis! Ah, a beleza... a beleza de seus gestos, do seu corpo... Ela se lembrou de quando os garotos não só se curvavam aos seus pés, mas sob seus pés. Sua beleza era impiedosa, como um arcanjo bruto caído dos céus semeava em cabeças juvenis o desejo que crescia com os hormônios da idade, ela sabia disso e se ria. Podia ver pelos olhos dos rapazes quais já tinham se masturbado pensando nela, e eram tantos! Aquele gozo, aquele poder!! Era como se sua femininidade urrasse!!! Ela correspondia aos olhares com uma singela mordida nos lábios inferiores e com aquele olhar.
_O olhar... se ela pelo menos se lembrasse como fazer aquele olhar... como mirar os olhos, como baixar de leve as pálpebras! Ela se esquecera. Ou isso, ou seus olhos perderam o brilho e suas rugas lhe pesaram as pálpebras e rasgaram-lhe a face. Ela pedia a Deus para que tivesse esquecido.
_Sete anos... sete anos durara seu reinado. Fôra eleita presidente da sua sala sem nem mesmo ter se candidatado, e fôra reeleita no ano seguinte mesmo tendo feito nada em prol dos seus súditos. Quando os professores lhe disseram que como presidente ela teria que tomar certas atitudes e responsabilidades para o bem de seus colegas, abriu mão do cargo e viu que era muito mais fácil ser primeira dama.
_Sempre pudera escolher seus garotos, seus namorados e até mesmo seu falecido marido. Sempre controlou a mente masculina como um gato controla seu dono. Ela escolheu seu primeiro beijo, seu primeiro amasso e à dedo escolheu, no último ano do colegial, o garoto, e numa noite de Sábado ela tirou a virgindade dele, e dela.
_E a formatura! O ápice da sua juventude! Uma última noite em que ela brindou com álcool e saboreou à bocadas largas sua juventude adoçada com aspartame.
_Foi aí que ela pensou: "Às vezes me arrependo... que tipo de pessoa tira a própria virgindade?"
_E quando passou por um buraco avistou seu ponto logo à frente, puxou bruscamente a cordinha e o motorista pisou forte no freio. Ela quase não conseguiu se segurar, andou até ele resmungando alto, tirou da bolsa a sua identidade amarela e desbotada e, com um gosto amargo no fundo da língua, mostrou-lhe para provar que, realmente, toda a sua beleza esvaeceu...
"E ainda faltam os três degraus..."
Título modificado em 11/05/2010, de Futil para Charneca.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
"Muito barulho por nada", pouco silêncio por muito

_ Singelamente escorreu a colherinha na beirada da xícara de café, e por alguns segundos ficou apenas olhando a espuma girar e ouvindo. Pensou no girar, pensou no mundo e numa galáxia... Olhou para o outro lado da rua e para o semáforo e pensou em física quântica e nos trilhões e trilhões de partículas que atravessavam ele e tudo e todos ao seu redor sem que percebêssemos... E então as mesmas conexões neurais que lhe fizeram ir embora o fizeram piscar, e lhe trouxeram de volta da física, da galáxia, do mundo, e por ali ele ficou... ouvindo...
_ Hoje, dia 11 de Setembro, são lembradas e repassadas na mídia as imagens daquele atentado terrorista contra o WTC em Nova Iorque, são repassadas aqueles e-mails toscos de correntes e de "numerologias" (11/9: 1+1+9=11, 11 é o número do mal!!! Se dependesse do Maluf e do Pitta, eu acreditaria), são feitos discursos novos sobre os mesmos fatos antigos que mais uma vez, em um ano de muito barulho, mereceram 1 minuto de silêncio.
_ Alguns chamaram de "o maior atentado terrorista de todos os tempos", eu discordo, para mim o maior foi aquele em que duas cidades inteiras foram riscadas do mapa e as futuras gerações dos sobreviventes riscadas com cicatrizes. Mas não quero mais comparar essas coisas, mesmo porque, não devem ser comparadas...
_ "Enquanto isso na sala de 'justiça'"...
_ É julgado no Brasil o caso de extradição(ou não) de um ex-terrorista italiano que matou quatro pessoas na Itália. Lá, na bota mediterrânea, dizem que ele é um criminoso comum e que por isso deve ser extraditado para lá ficar preso pelo resto da vida. Aqui, na galocha americana, dizem que não deve ser extraditado, pois é um criminoso político. Em um mundo onde criminosos comuns matam 4 e criminosos políticos seguem impunes, vamos falar de criminosos políticos...
_ "Enquanto isso na outra sala de 'justiça'"...
_ Todos sabem que os criminosos políticos no brasil gostam mesmo é de foder com os outros, todos sabem também que quem fode muito tende a ter muitos filhos... Pois é, é tanto parente de criminoso político vivendo no brasil e no exterior que há poucos cargos públicos aqui para empregá-los, então foi aprovada em primeiro turno a PEC que cria 7709 novos empregos para o cargo de vereador. No brasil 51.748 vereadores já estão empregados. Com sorte, quem sabe, a PEC não passe no segundo turno, mas para isso será preciso muita sorte...
Falando em sorte...
_ Como aqui na terra a sorte está em baixa, muitos querem mesmo é dar uma olhadinha lá pra fora, às vezes, com sorte se acha um lugar melhor para morar, por isso deram uma boa recauchutada no Hubble e liberaram fotos maravilhosas de coisas tão grandes e tão distantes que mesmo se quiséssemos, não seriamos capazes de destruir...
_ Falando em destruir coisas grandiosas e maravilhosas...
_ Aqui na américa das galochas o Sarney censura O Estado de São Paulo, o Hugo censura a televisão venezuelana e o Nestor e a Cristina tentam calar o Clarin... Mesmo sem aviões e bombas atômicas, terroristas e criminosos políticos tentam, e por vezes conseguem, riscar do mapa a liberdade de expressão e de imprensa.
_ Ufa! Falei tudo, e nem é mais dia 11. Boa sorte a todos and Gods bless Americas...
_ E ouvindo, tudo aquilo foi sugado e acabou quando a xícara lhe tocou os lábios e jogou para dentro todo aquele mundo, aquela galáxia e aquelas partículas.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Uau
Foi lindo.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
A pele da puta (Epiderme)
A pele da puta tem seu perfume
E o perfume de outros homens
A pele da puta tem seu suor
E o suor de outros homens
Pouco a pouco seu perfume vai embora com os outros
Mas seu suor não.
A pele da puta arroga ser a melhor pele da rua
A pele da puta arrega só ser paga depois de nua
A pele da puta arreganha outras peles contra a sua
A pele da puta preta
A pele da puta branca
A pele da puta feia
Da puta magra sem anca
A pele da puta manca, fraca
Da puta estuprada e cortada
Na ponta de faca
A pele da puta sua
Sua puta sua
A pele a puta freme ao primeiro
Ao segundo, ao terceiro...
A pele da puta brilha
Sem brilho não goza
O gozo do seu parceiro
Filho da puta
Filho da puta apela
A pele da puta o seio
A pele da puta apela
O seu filho o receio
A pele da puta sua
Vida perpetua
Da vida, crua e nua
Perpetua sua puta perpetua
Perpétua sua puta perpétua
A pele da puta fede
Da vida
A pele da puta fede
A esperança
A pele da puta fede
E a pele da puta fede tão forte
Que cada um com quem a puta mete
Fede à puta até a morte
domingo, 26 de julho de 2009
Descarga mental Capítulo 1
Acordei tarde (porque dormira tarde no dia anterior), tomei banho, lavei os cabelos, comi bolachas recheadas com um copo de leite no café, assisti televisão e por volta das 13:15 fui para um churrasco.
É quase meia noite e meia, o dia acabou cedo para um sábado. Estou ativo, acordado, mesmo com as pernas cansadas eu queria fazer alguma coisa, mas nessa noite chuvosa não há nada para fazer. Nessa cidade chuvosa, não há nada para fazer, com suas pessoas chuvosas. Tédio 1x0.
Ando até a varanda, encosto minha testa no vidro para ver se minhas plantas estão bem. Estão... mas não passa disso pois, olhar pela janela é ver um retrato estampado e assombroso do tédio que quer me dominar. Tédio 2x0.
Vou até a cozinha e pego um copo d’água. Tem louça para lavar, mas não vou lavá-la agora... Minha mãe a deixou lá e foi viajar com a esperança de que eu lave. Ela sabe que não gosto, mas sabe também que um dia quando eu morar sozinho terei que lavar minha própria louça e blá blá blá... Coisa de mãe. E o tédio faz mais um ponto.
Ficarei duas semanas sozinho em casa, sabe o que isso significa hoje? Quase nada. Poderei tocar guitarra com a porta aberta sem me preocupar com o volume, grande coisa... Em outros tempos isso significaria que eu poderia dar uma festa e até ganhar uma graninha com isso, eu poderia chamar uns amigos e amigas para fazer “coisas”, eu poderia fazer essas molecagens e me divertiria muito com isso, mas eu não sou mais moleque, hoje se eu quisesse dar uma festa, eu poderia, daria e arcaria com as conseqüências e danos que pudessem surgir, ou seja, que bosta! É engraçado como algumas coisas perdem a graça quando deixam de ser proibidas ou quando deixamos de ser inconseqüentes ou impulsivos... é quase engraçado pensar que quando eu era criança eu queria crescer rápido. E por esse pensamento quase que autodestrutivo; Tédio 4x0.
Minha mãe também me deixou algumas compras... Numa caixa estão um saco e pão (para eu fazer um lanchinho), uma caixa de cereal (para meu cafezinho da manhã) e por fim degradantes pacotes e miojo apontam uma suposta incompetência ou preguiça de me alimentar. Tédio 5x0.
Sento no sofá e ligo meu computador para tirar todos esses pensamentos grotescos da minha cabeça, mas o computador demora a ligar e eu faço a cagada. Ligo a TV. Tédio 6x0.
Assisto uma propaganda onde o que se vê são três decotes dentro de um carro que tem um cachorro quente gigante em cima andando no meio de uma floresta e no final um locutor fala espanhol e antes mesmo que eu possa dizer “que bosta!” passa uma propaganda de celular e logo depois uma de cerveja. Tédio 7x0.
Vou escrevendo e percebo que esse cenário todo está me dando sono. Tédio 8x0.
Vou assistindo o VT do jogo que eu sei que o meu time ganhou de apenas 1x0, o gol foi no 1º tempo, meu time está bem superior e eu ainda fico torcendo como um bocó para que as jogadas dêem certo. Ah se meu time jogasse tão bem quanto o tédio... Tédio 9x0.
E aqui está mais um episódio fatídico da minha via insólita, eu só não termino esse texto com um ponto final porque isso seria mais um ponto para o tédio
Eu 1x9 tédio
(quem sabe com esse final “feliz” eu me livro desse tédio)
quinta-feira, 18 de junho de 2009
BR - 230
Como é que no senado, onde já se proibiu o nepotismo, o presidente (que por sinal tem duas sobrinhas e um neto empregados lá dentro sem terem passado por concurso público, sendo que uma das sobrinhas mora na Espanha!) vem dizer que ele não tem nada a ver com crise do senado?! Com aquele monte de rugas na testa e um moustache mais velho que eu o cara tem a cara de pau de, assim como uma criança que acabou de fazer algo errado, balançar a cabeça e levantar as mãozinhas dizendo "não fui eu".
O período militar no Brasil foi algo grotesco, não temos como negar a incrível melhora da política do país ao se tornar uma democracia. Foi uma grande vitória para o pais mesmo com o "Moustache" assumindo a presidência da república em um episódio digno de muitas teorias de conspiração que podem até ser verdade (algumas)...
Muitos dizem que ele foi importante para o Brasil pois ele manteve a democracia e etc. assim como muitos dizem que o Maluf foi importante para São Paulo, no entanto, qualquer outro político poderia ter feito todas as obras que o Maluf fez e não ter roubado nada, ou mais realisticamente falando, roubado menos.
Vem então o presidente Lula (outro sucesso contestável na nossa democracia, que na minha opinião foi "dos males o menor") dizer (e laiá) que o Sarney não pode ser tratado como qualquer um, e ainda criticou o "denuncismo".
MEU! COMO ASSIM?!?!?!
Se há uma montanha de denúncias sendo feitas, é porque há uma montanha de coisas para serem denunciadas.
Se o Sarnento não será tratado como uma pessoa comum é em parte (pequena essa parte) pela sua "importância" histórica e em parte (essa muito, mas muito mesmo, maior) pelo fato de ele ser rico, senador e presidente do senado (é, eu sei que senador rico é um pleonasmo).
O que sei também é que o nosso país tem uma constituição que, em algumas partes, tem umas letrinhas pequenas (iguais aquelas das propagandas) que dizem "foto meramente ilustrativa". Pois é, tal constituição diz que somos todos iguais perante a lei, ou seja, somos todos pessoas comuns. Acho que nesse pedaço tem aquelas letrinhas né?!
No mais, o senado brasileiro é como uma Big Band, onde cada senador toca a música que quer, no andamento e na tonalidade que quer, e nós, que somos o Público, tampamos nossos ouvidos e assistimos ao espetáculo. Ainda bem que, assim como as leis desse país, os tampões de ouvido não funcionam direto e já tem agumas pessoas começando a se encomodar com a balbúrdia.
Às vezes tenho vontade de ir até o senado na hora do rush, trancar todo mundo lá dentro e tocar fogo nele. Mas quando o nervosismo passa e eu penso direito, vejo que não adiantaria nada... mesmo porque a maioria dos senadores e de seus acessores não estariam lá dentro na hora do rush, além do mais, quem é que trabalha na hora do rush? Ah, você trabalha? É, eu também... foi mal.
Vamos pensar que há tres categorias de aprendizado:
-A primeira se resume à tentativa e ao acerto. Aprende-se então que a tentativa é correta. O indivíduo que tentou é extremamente competente.
-A segunda seria a sucessão de tentativas e erros até que se acerte o objetivo. O indivíduo que tentou é capaz de aprender.
-A terceira é quando um indivíduo faz uma tentativa e erra e um segundo indivíduo que o observa, entende, e então executa uma tentativa e acerta. O segundo indivíduo é inteligente ao ponto de aprender com o outro.
De cara posso dizer que o povo brasileiro não se enquadra na 1a, uma vez que o Sarney já foi até presidente da república. Agora que ele é presidente do senado, posso dizer também que não nos enquadramos na 3a, pois temos e tivemos a oportunidade de olhar para trás e ver os erros dos passado mas mesmo assim escolhemos os mesmos erros.
Por fim, não posso dizer também, com a certeza da eliminação das outras categorias, que nós nos enquadramos na 2a, isso porque não dá para saber se algum dia ainda acertaremos. A certeza que se tem, ao observar o poder político do país, é que erramos, e só erramos. Apesar desse pessimismo todo, ainda posso dizer que sou otimista a ponto de torcer para que acertemos algum dia, isso significaria também que somos capazes de aprender, que bom né?
Só para deixar mais claro, a BR - 230 é conhecida como Transamargura e Transmiseriana na região norte do país, mas o pessoal que está mais longe, lá em brasília, insiste em chamá-la de Transamazônica... lá vamos nós denovo cometer os mesmos velhos erros de novo! DENOVO?! é... denovo.
domingo, 31 de maio de 2009
Pra onde foi?
Então eu paro de andar e me sento no ponto de ônibus.
Olho para a rua, mas os guarda-chuvas e as pessoas de pé não permitem que eu enxergue qual ônibus está chegando, me levanto. Vejo que não há ninguém sentado, todos estão de pé para poder ver qual ônibus está chegando, ficando nas pontas dos pés e esticando seus pescoços por cima dos guarda-chuvas.
Sento-me novamente.
Começo a observar as pessoas... Trabalham o dia todo e depois de toda a jornada não se dão nem o direito de sentar. Ficam em pé no ponto, para depois ficarem em pé no ônibus lotado, para finalmente poderem se sentar no sofá de casa para ver a novela, o ópio das donas de casa...
As pessoas acham que gostam de novela. Do glamour, da riqueza, do drama, da emoção, da beleza, da fantasia, da alegria e da tristeza, e de outras coisas que também acham que não têm nas próprias vidas. É um engano. Debaixo do nariz global dessas pessoas está o que elas realmente gostam, o sofá.
Depois de 8 horas de trabalho em que não se pode perder um segundo sequer, as pessoas dedicam aquela hora à perda de tempo, à inutilidade, ao "programa em família", ao emburrecimento voluntário que, inconscientemente, é um pedido de um pedacinho do nosso cérebro que com o passar dos dias vai se atrofiando e caducando contra sua vontade. Tal pedacinho chama-se consciência.
É isso mesmo, aquela que quando nascemos ocupa quase todo o cérebro, e à medida que vamos crescendo ela vai diminuindo, sendo que em alguns casos ela some, e em outros ela volta a crescer e passa a oscilar até a hora da nossa morte. A mesma que vai sendo turvada e moldada pelos valores platônicos e aristotélicos que vão sendo passados de geração a geração pelo papai e pela mamãe e pela tia da escolinha e pelo professor da universidade, aquela que às vezes nos impede e outras vezes nos motiva.
Pois é, é esse pedacinho que pede que repousemos nossas bundas em uma superfície macia, fofinha, no calor e no conforto de nossos lares para o corpo poder descansar.
Isso pode até parecer uma coisa boa, mas não é. Quando tal consciência age inconscientemente é sinal de que ela já está muito fraca, cedendo aos medos do fantástico show da vida.
As pessoas se privam de sentar, pois têm medo de perder o ônibus. As pessoas têm medo de perder o ônibus, pois têm medo de chegar tarde em casa e aí pegam um ônibus lotado, se privando, novamente, de sentar. As pessoas têm medo de chegar tarde em casa por ter medo de ser assaltadas,ou pior, por ter medo de perder a novela, e as pessoas tem medo de perder a novela por terem medo de perder tudo aquilo que acham que não têm em suas próprias vidas...
E assim a falta de consciência nos priva de sentar, de tomar aquele cafezinho, ou cervejinha, com os amigos e de esperar pacificamente pelo ônibus que nos levará para casa.
Quem sabe algum dia nossa consciência volte a nos privar até mesmo do uso dos guarda-chuvas, que volte a nos privar do medo de pegar um resfriado, ou de abrir os braços e sorrir com as gotas tocando o rosto e entrando pela boca, ou de se preocupar com que os outros estariam pensando enquanto estivéssemos fazendo tudo isso...

